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Quem sou eu

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Durante 25 anos apoiei a formação de equipes e líderes, bem como busquei ser uma pessoa melhor, respeitando meus valores e mantendo um posicionamento ético diante da vida. Neste momento me entrego à minha missão de vida. A vivência adquirida até aqui me levou à uma visão crítica da maturidade dos ambientes corporativos em pequenas, médias e grandes empresas, bem como dos comportamentos que possibilitam estratégias eficazes para alcance de resultados e formação de equipes altamente produtivas e colaborativas. Minha busca é para que as pessoas busquem seu empoderamento e tenham as rédeas da própria vida nas mãos, perseguindo a felicidade como sua principal meta. Esta formação se dará através de consultorias e treinamentos comportamentais, workshops, palestras motivacionais e personal e/ou professional coaching.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Carreira - Como escolher uma profissão? Mitos e Verdades sobre Emprego e Trabalho

Sigo com a nova série dedicada à Carreira. O tema hoje é Emprego ou Trabalho? Como escolher uma profissão?

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As gerações antigas diziam que tínhamos que estudar. Aos meus 15 anos podíamos escolher entre seis ou oito áreas de atuação. Hoje são tantas opções!!! Difícil escolher a primeira ou a próxima.

Segundo a CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), em 2014 tínhamos já 2.558 atividades. Essa lista está disponível e você pode baixá-la no site do Ministério do Trabalho e Emprego. Essas são as regularizadas e reconhecidas, mas existem muitas outras na fila aguardando sua formalização e nem por isto deixam de gerar demanda. 

É importante conhecer as opções para escolher, mas muito mais que isso saber o que gostaria de fazer em função das suas aptidões de comportamento é essencial. Falamos disso no post dedicado ao auto-conhecimento

Agora vamos ao lado prático que vai clarear os pontos mais importantes, ao meu ver, para esta escolha!



1. Temos de escolher a mesma profissão para toda vida? Resp.: MITO.

O que angustia a maioria das pessoas que iniciam carreira ou que desejam um novo caminho é que elas acreditam que esta escolha deva ser para sempre ou exclusiva. Isto é um engano no início da carreira e também quando desejamos mudar aquela que está em curso. 

Se nós mudamos porque o trabalho não pode mudar?! 

É preciso que você respeite suas preferências e que esteja antenado com tudo o que poderá fazer. Escolher significa optar entre caminhos, ou adicionar vertentes de interesse à ocupação principal.

Se você se livra deste mito então um mundo se abrirá na frente dos seus olhos, sem culpa, sem julgamento e talvez com muito mais prazer e motivação do que a decisão por um único caminho.

2. Não posso ignorar a demanda do mercado! Resp.: VERDADE.

Além de buscar algo que você tenha aptidão (aquilo que você é capaz de realizar), que passa lá pelas questões do auto-conhecimento que já falamos, há que se respeitar o que o mercado está demandando. 

De nada adiantará que você tenha habilidade para confeccionar roupas, se o mercado entende que importar a roupa pronta é mais barato e tantas outras justificativas tarifárias. O número de pessoas em condições de pagar por uma roupa feita a mão poderá não ser suficiente para que você possa crescer o seu negócio ou profissão.

Se as profissões estão mudando e as demandas também, é preciso que você se mantenha atualizado sobre o que lhe interesse nessa inovação. É preciso acompanhar. Seus clientes ou empregadores esperam que você seja crítico na melhor solução que existe para a necessidade dele.

3. Se eu me preparar bem (acadêmica e profissionalmente) não serei demitido! Resp.: MITO

Há questões que você deve levar em conta antes de acreditar nisso. O trabalho, em seu formato está mudando e logo ele não existirá. 
Não se iluda: apenas a formação universitária (mesmo que em instituições estrangeiras), pós-graduações, mestrados e línguas não garantirão seu aproveitamento. Isto é importante mas não se garanta apenas nisso.

Você terá de experimentar toda essa teoria e apresentar resultados. 

Nem mesmo a carreira acadêmica se conforma com isso(felizmente), porque mesmo lá, você será questionado pelo embasamento das suas afirmações por alunos que atuam nas áreas que buscam conhecimento.

4. O emprego público não é uma alternativa segura. Resp.: VERDADE

Sou de uma época onde o serviço público era considerado seguro. Prestei concurso e achei que estava segura. Cinco anos depois o governo privatizou o setor. 

Agora com a crise, muitos concursados aguardam ser chamados para vagas que podem não se manter pelas exigências dos bancos internacionais que para ceder empréstimos exige redução das despesas públicas. 

No Brasil acredito que isto ainda tem um fundo de verdade em alguns setores, mas não será assim durante muito tempo porque acredito, visto o que está ocorrendo com a saúde pública, que muitos setores serão privatizados e daremos à quem tem competência cuidar daquilo que não é de soberania.

5. Assiduidade não é tudo. Resp.: VERDADE

Sou de uma época que o horário de entrada e saída do trabalho me impedia de seguir com mais de uma atividade de trabalho simultânea, então a outra jornada dedicava ao estudo. Naquela época se acreditava que assiduidade era um indicador de comprometimento com a empresa. 
FATO: Em momentos de crise como agora, para reduzir suas despesas sem precisar desligar as pessoas, as empresas começam a avaliar se as jornadas no formato atual são mesmo necessárias. Empresas de médio e grande porte já contratam pessoas para trabalhar em casa
Isso no exterior já é tendência há muito tempo. Sinto que nossa aderência a este modelo está atrasada, mas não tarda. 

Estar num local não significa estar produtivo nele. Se o funcionário não estiver motivado a realizar o trabalho o número de horas só gerará mais frustração e despesas para a empresa. 

6. Todo negócio próprio exige que você tenha um escritório. Resp.: MITO

Sou de uma época que todos profissionais liberais ou micro empresários precisavam ter um escritório próprio e muitos investidores compravam imóveis para alugá-los à eles. Assim também ocorriam com as empresas e suas equipes. Estes assumiam a "compra" ou "aluguel" deste espaço, condomínio, impostos, pagamento da sua recepcionista/telefonista e etc. 
FATO: Depois que o coworking  alcançou o Brasil isso deixou de ser verdade. Pessoas, de diferentes áreas, compartilham no mesmo lugar seus: "escritório, recepcionalista, telefonista, endereço comercial, copa, papel higiênico, acesso internet e etc, e tudo legalmente". O "custo fixo" desta estrutura também é compartilhado e muito mais econômico. Você pode alugar salas de visitas pontuais para receber seus clientes/fornecedores por hora. Você pode alugar salas de treinamento para capacitar sua equipe que também trabalhará de casa. Uma revolução certamente.


O que estou dizendo é que se você procura um trabalho seguro deve investir nas suas competências e não num emprego. 

As empresas irão compartilhar as competências de seus funcionários com outras empresas porque é mais barato buscá-las no momento em que são exigidas, do que mantê-las como uma despesa fixa (headcount) para algo que será esporádico. Isso não é inteligente e nem rentável às empresas. A otimização levará a maior parte das pessoas à serem autônomas.

Se você compuser e desenvolver diversas aptidões e competências, e divulgá-las corretamente ( e aqui cabe um post específico que falarei em breve ), nunca ficará sem trabalho.

Leia esse excelente artigo do João Marcelo Meira. Ele fala de diversos outros aspectos. Boa leitura.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Carreira - Você tem autoconhecimento?

Começo hoje uma nova série. Vamos falar de vários aspectos que envolvem CARREIRA.

Em tempos de crise e de discussões sobre o modelo de trabalho, a recolocação e perfis profissionais requeridos, verifiquei que posso contribuir com o meu olhar sobre alguns pontos que se tornam críticos e diferenciais nestes momentos.

Hoje são tantos caminhos e tantas opções que as pessoas também deixam de olhar para todos os lados e algumas esquecem que podem ter mais de uma. Por que não?!

As carreiras não estão apenas nos ambientes corporativos. Lá elas são mais estruturadas, mas é preciso que você reconheça as opções que tem, incluindo as carreiras liberais e de assistencialismo. O terceiro setor está aí e já emprega, você sabia?!
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Autoconhecimento

A primeira questão que levo às pessoas que me pedem sugestão sobre a carreira ou mudança nela, é se elas possuem autoconhecimento. Se elas gostam do que fazem? ou o que não gostam, ou o que gostaria de fazer? Se elas sabem quais são as suas características comportamentais e de relacionamento e se elas acreditam que são diferenciais?
A maioria fica minutos para responder. Sabe por que? As pessoas não param para fazer esta auto-análise. Descobrem-se indecisas para o primeiro trabalho e frustradas quando a carreira não deslancha ou não se sentem motivadas por aquela que está em curso.

A carreira, na maior parte das vezes veio pelas imposições familiares, por acidente (a oportunidade caiu no colo) e não necessariamente buscada por estas aptidões ou por um foco que se tenha decidido dar. O resultado é que quando as pessoas se deixam levar por uma carreira, salvo se a pessoa acorda no meio e redireciona o caminho, o crescimento profissional demora muito mais pra acontecer e daí a frustração é certa.

Em tempos de redução no número de vagas disponíveis no mercado de trabalho, formatos de trabalho, e onde há tanta concorrência, essa questão é de extrema importância. Não subestime a relevância. 

As características ou aptidões para o relacionamento tem muito mais peso do que as técnicas. Você lidará muito mais com questões humanas do que técnicas. Mas alguns dirão: "Eu trabalho com tecnologia e não tenho que me preocupar com isso". Ledo engano. Como profissional da área lhe afirmo: Muitos de nós teremos que traduzir o tecniquês para que todos entendam, sob o risco de termos um boicote com um determinado projeto ou nova ferramenta. Quanto mais as pessoas entenderem o quanto estão envolvidas e o que é esperado delas em tempo de projeto, mas defenderá o novo. No entanto, se elas não forem envolvidas e sensibilizadas para o que trazemos, não terão qualquer compreensão sobre o papel dela. 

Exemplo: Se uma pessoa está numa carreira onde a sua habilidade de comunicação/negociação é exigida (e a maioria delas exigirá isso em maior ou menor grau) e ela não tem esta característica natural na personalidade, a probabilidade é que assuma muito mais responsabilidades do que tenha condição de entregar ou sofra para cumprir entregas que não são suas. Se ainda, sabendo disso, ela não busca esta competência através de cursos ou ferramentas que lhe possibilitem este despertar, então ela não escolheu um caminho. Sua carreira está a deriva e daí tudo será ainda mais difícil. Há também uma alta probabilidade de que esta pessoa seja desligada por desempenho, porque aceita tudo  mas não entrega com qualidade ou porque não entrega nada. 

Existem vários formas de você buscar este auto-conhecimento. Vou citar duas(mas existem muitas mais):

Teste para Avaliação de Comportamento - O objetivo deste teste é levar ao entendimento de como a pessoa reage às situações em que está inserido. Minha recomendação é que o faça com profissionais certificados e não por testes gratuitos. Pequenos desvios por falta de metodologia podem levar a um resultado parcial de comportamento. O teste dará um entendimento sobre o comportamento atual.   Busque um profissional certificado para aplicação do teste. Sugiro o "DISC" (aspectos que serão analisados: Dominância/Influência/Estabilidade/Conformidade). O teste é o início de um caminho. Para mudar características que a pessoa perceba necessárias hà um longo percurso a percorrer. Mudar hábitos ou posturas é um exercício diário e difícil, mas muito necessário se quiser manter-se com grau de empregabilidade.

Coaching Profissional - O coaching é reconhecido mundialmente como uma ferramenta poderosa para o auto-conhecimento. Sessões individuais podem ajudar a ter entendimento sobre estas questões e direcionar a esta descoberta. Sessões em grupo poderão possibilitar a troca de experiência com aqueles que estão na mesma busca. Procure um profissional certificado ou uma instituição de sua confiança e agende uma entrevista. Geralmente os profissionais não cobram pela entrevista. Avaliar este caminho pode ser libertador. Pessoalmente o considero o melhor.

Após iniciar este caminho tenho certeza tudo ficará bem mais claro e a carreira tenderá a deslanchar naturalmente e com muito mais velocidade!




O sintoma que determinará se está tudo bem, é que a pessoa estará feliz, realizada por suas escolhas, sejam elas quais forem!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Às mães e avós de primeira viagem!

Quando tive minha primeira filha não estava preparada para as emoções que viriam. Ela chorava e eu também. Ela se sentia insegura nos meus braços e eu também. Não fosse minha mãe para apoiar-me sei lá o que teria sido. 
Fico pensando nas minhas amigas que tiveram filhos e que não puderam contar com suas mães. É muita emoção de uma vez e o desiquilíbrio trazido pelos hormônios e a responsabilidade por uma vida são extremamente grandes.

Acredito que toda mãe de primeira viagem tenha a sensação de que não dará conta: nem das emoções e nem de manter a criança viva. 

Perdi a conta de quantas vezes cutuquei minha filha no berço para saber se estava respirando. E fiz o mesmo quando tive meu segundo. Isso não passa. Sono de criança é tão profundo que as vezes a gente duvida. Vai dizer que estou mentindo?!

Depois a separação da criança  no retorno ao trabalho após a licença maternidade. Se de um lado sentia falta do trabalho, de outro a ausência dela nos meus braços, a amamentação e o cheiro do bebê prometem explicar o que é saudade. Quase morri de tristeza. Mas dizem que para ela é ótimo conviver com outras. Tomara.
As despesas que se seguem com berçário, fraldas, alimentação, leite, remédios e as jornadas de levar, buscar e etc...difícil. É uma nova rotina que também era iniciante. 

A todo momento fui provada quanto ao egoísmo e visão centrada em mim mesma de outrora. Nunca mais fui a mesma. Durante os primeiros anos do bebê não havia outra prioridade em minha mente. 

Há um grande desgaste emocional. Culpa se vai ao trabalho, culpa se falta à ele para cuidar de uma doença ou acidente do bebê, correndo o risco de uma demissão. Se ele cai e se machuca à um passo de você e não conseguiu evitar...culpa, culpa, culpa.

Noutro dia li uma reportagem que dizia que algumas mulheres começaram um movimento bem interessante. Segundo a matéria elas fizeram contas e optaram por reduzir ou excluir alguns hábitos e necessidades que geravam despesas para que pudessem acompanhar o crescimento dos filhos. Voltaram para a casa e como nossas mães no passado se dedicam aos seus bebês. É uma escolha consciente e que busca acompanhar os anos mais importantes da vida da criança. Que lindo. 

Mas, em tempos de crise nem todas podem fazer o mesmo, pois mal conseguem dar conta das despesas básicas. Fase difícil e longa onde todo o suporte é pouco. Como não pude abrir mão do trabalho, busquei dedicar-me à carreira para que tudo que fosse essencial à educação que queria dar-lhe acontecesse. 

Se você é mãe quero lhe recomendar que acredite que esta fase difícil vai passar e que tome cuidado com a demasiada atenção que dá ao trabalho. O tempo não volta. Curta o seu bebê. Quando em casa, esqueça tudo o mais. Faça valer a qualidade deste momento.

Se você tem ajuda, da mãe, da sogra ou de uma pessoa, que nunca vai remunerar o suficiente pelo carinho que entrega ao seu bebê, o que pode fazer é agradecer e ouvi-la! Ela quer o seu melhor e para o seu bebê.

O tempo passou e os meus filhos cresceram e sobreviveram à tudo, junto comigo. Tudo deu certo.
Aguardo calmamente o momento de ter um neto nos braços, quando poderei devolver a atenção que minha mãe deu aos meus filhos. 
Se você é avó, não perca a oportunidade de viver este momento sem as inseguranças da sua primeira maternidade. Entregue o seu amor à sua filha e seus netos. Não há nada melhor que deixar de legado o reconhecimento de ter sido uma vó carinhosa e participativa. Tudo passa e os momentos felizes valem mais do que ter razão. Seja compreensiva com as inseguranças dela como a sua mãe ou babás foram com as suas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A ansiedade e a matemática


Sempre fui conhecida pela característica ansiosa que tenho. 

Talvez por causa do exercício profissional contínuo e do pensamento processual, e de na maioria das vezes buscar antecipar o tratamento e mitigação dos riscos durante o processo de levantamento de cenários, aspectos envolvidos e etc, sofra antecipadamente o que virá, acreditando que isto me possibilita prever e contornar a tudo. 

Esse "modus operandi" exige que esteja sempre alerta, vigiando tudo, o que causa um desgaste de energia imenso. Contínuo.  

A área em que atuo exige velocidade, visão ampliada, processos e que as pessoas os cumpram, claro. Mas sobre isso está a decisão individual dos OUTROS.

E o que não posso prever?! Ou o que por mais devaneios que tenha não serei capaz de evitar sob nenhuma hipótese?!

Seja em TI seja na vida não serei capaz de prever ou evitar os fatos, os impactos de tudo.

A ciência e a vida me surpreenderão: na tecnologia, na economia, nas relações humanas....provando que não adiantou querer prever o futuro. Sempre haverá algo novo, inesperado.

Então o que me resta?!

Já há algum tempo busco desacelerar. Não tomar decisões de cabeça quente e sob pressão imposta sem justificativas. É um exercício, nem sempre consigo!

Entendo que a experiência ou a opinião de quem me precedeu deva ser respeitada e traga a solução sem que eu precise virar um heroína. Oxigenar o cérebro, pesquisar o que já está pronto para ser aplicado...ou simplesmente aguardar para que as idéias venham, naturalmente, como uma invenção. 

Pois bem, faço o meu melhor e tenho certeza que surpreendo quando algo me é exigido. Penso rápido sob pressão mas não abro mão de seguir um método:

1) Exerço minha aptidão de olhar para as coisas sobre diversos ângulos, esta é a minha característica mais forte. 

2) Posso supor o que está além porque exercito o meu olhar : conhecer o que ocorreu ontem (respeito aos fatos) e para os lados - o que está ocorrendo agora (consciência).

3) Esse saber reduz o número de cenários que podem ocorrer a frente, e a probabilidade de eu acertar, é maior. Não é mágica, é ciência matemática.

Não sou advinha, que fique claro! 

Esta descoberta pode gerar incomodação naqueles mais vaidosos : "porque não pensei nisso?!".

Sugiro repetir o método se você também é exigido a fazer "milagre"! 
Sua ansiedade será reduzida e suas respostas mais frequentemente certas.

domingo, 17 de janeiro de 2016

O dom da oratória e o stand up



Ao apreciarmos alguém com habilidades de oratória podemos correr o risco de esquecer de que o mais importante é o que se diz, qual a idéia que se defende, porque ao contrário disso não haverá ninguém disposto a ouvir discursos, porque são vazios. 

Hoje essa habilidade é exigida por diversas profissões. Há quem acredite que o fato de não ser um palestrante, político ou instrutor de treinamento, que isto não lhe será exigido. 

Hoje é preciso "discursar" para marcar ou defender o seu lugar no mundo, seja para uma função em ambientes corporativos que pode se apresentar numa pergunta numa reunião com toda uma diretoria, até para investidores num projeto humanitário. 

Quem o está ouvindo precisa ser convencido de sua idéia, do que se ganha, o que se perde e etc. Não estou falando aqui de falar alto ou a frente, num microfone, num auditório ou estádio lotado, ou ainda para uma câmara de vídeo. Estou falando do dia a dia, quando você encontra um público hostil ou pouco sensível ao que você defende ou deseja "vender", mesmo que sejam risos.

Isso levou-me à uma lembrança antiga onde, meus irmãos e eu sentávamos à frente de um primo  "nerd" carioca - Claudio Cordeiro, que na época tinha entre 5 e 6 anos, para ouvi-lo reproduzir aquilo que decorava das estórias infantis.

A Disney lançou na época uma coleção de estórias contadas em discos de vinil coloridos e pequenos. Lindos. A preferida dele era: "Os três porquinhos e o lobo mal". 

Pois bem, ele empostava a voz e entonava cada personagem, mudando as vozes, repetindo a respiração, fazendo o som do vento ao soprar e derrubar as casas imaginárias...como no disco. Mas não pense que falava algo errado...não senhor...repetia o  texto perfeitamente....sem gaguejar... numa verdadeira prova para ganhar o papel principal de uma das peças de William Shakespeare. Ele levava muito a sério.

E começava com seu sotaque carioca:

"Era uma veissss, no fundo da floresssta, viviam os treissss porquinhossss perseguidos pelo lobo mal....."

Quando o trecho da estória permitia que o sotaque carioca se acentuasse nós(os primos paulistanos que não tem sotaque "né meu" hahah) caíamos na risada, o que o deixava muito nervoso. Ele tentava continuar mas dado que as gargalhadas não cessassem ele ameaçava: 

   - Fiquem quietossss senão eu começo tudo outra veissss". 

hahahah...aí sim ninguém aguentava hahaha....e o que tinha começado com a disposição em deixá-lo discursar já não permitia que ninguém mais o ouvisse...hahaha. Nossa mãe e minha tia(Tia Martha querida) se juntavam a nós nas gargalhadas o que o deixavam ainda mais nervoso. Nossa...saía pisando duro! Coitado! O orador estava morto e desempregado!


Hoje com tantos shows stand up's fico pensando que já naquela época ele começou isso usando-nos como cobaias, sem usar um só palavrão...e  se pudéssemos dar um nome à esta série seria: "Do drama ao humor - parte 1/parte 2" hahah


Suas histórias de hoje fazem com que todos parem para ouvi-lo. No seu olhar há sempre um sarcasmo com as situações do cotidiano e dos personagens da vida real (o ancião de Pedra de Guaratiba por exemplo) que os programas humorísticos não conseguem naturalmente repetir. Muitas gargalhadas ainda são dadas ao seu entorno. Ele é engraçado por natureza. Sua habilidade de oratória já se manifestava aos cinco anos, embora sua veia fosse mais dramática do que engraçada como agora. Mas estava lá, latente. 

O que quero dizer é que o discurso tem que ser verdadeiro, você deve fazê-lo com sua verdade, seja sério, seja comovente, seja introspectivo, pois assim ele tocará o sentimento das pessoas. Você poderá aprender alguns truques em alguns cursos mas somente a sua verdade e naturalidade irão tocar o coração delas. Não se engane. 

Beijão primo, obrigada pela inspiração! hahahah!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mapa da Vida - O ambiente muda com o homem e por meio dele


Essa é uma obra de co-autoria da Editora Ser Mais. 


Cinquenta coaches foram convidados para escrever um artigo que trouxesse reflexão sobre as questões da vida pessoal e profissional. Participei deste projeto que agora se materializa.


Tivemos nesse projeto o apoio dos coordenadores editorias: Edson De Paula e Mauricio Sita. 

Cito alguns de seus co-autores, além de mim: Silvanira Ferreira Sylos, Cidinho Marques Filho, Luiz Vicente, Annie Bittencourt, Osíris Lins Caldas e Vânia Portela, entre outros.

Meu artigo: O ambiente muda com o homem e por meio dele. Leia um pouco:

"Os ambientes corporativos estão doentes. Embora haja disposição em alcançar objetivos as pessoas não calibram o tipo de energia colocada em suas atividades, perdendo-se em crenças e valores que não as fazem felizes. Embora tenham em suas jornadas de trabalho o horário mais produtivo de seu dia, é lá que estão perdendo a saúde e sua conexão com o divino. O que é possível fazer para mudar este cenário?"

Para reservar o seu exemplar envie um email.


O que aprendemos com Nico

Temos dois filhos adultos: o menino com 23 e a menina com 26. Nasceram e cresceram saudáveis. Foram crianças dóceis e educadas. Posso dizer que apesar da minha pouca paciência no dia a dia quando eles eram pequenos, tudo deu certo. São éticos, solidários e responsáveis. Um presente da vida e um orgulho para mim e para o pai.

Há quatro anos, devido uma necessidade, assumimos a responsabilidade de cuidar de um tio do meu marido. Nico (Antonio Franco) tem 65 anos de idade, é portador de necessidades especiais, e sua idade mental equivale a uma criança de 10 anos, nossa criança, e assim será para sempre. 

Diferente das crianças que foram os meus filhos, onde a medida que tempo passava e os educávamos, e eles iam assimilando e repetindo o comportamento que desejávamos, Nico não assimilará. Precisaremos repetir, repetir, repetir. Algumas coisas ele poderá aprender, outras não.



Nós nos organizamos para que ele sempre tenha companhia. Criamos escalas que se incorporaram naturalmente. Nós exercitamos nossa paciência diariamente, dia após a dia. Não é uma característica nata. A paciência é um exercício.

Nós o alimentamos antes de sair e deixamos em banho maria a refeição(que tem que estar pronta) que ele fará sem que possamos estar ao lado dele durante os dias e horários úteis comerciais. 

Nós voltamos pra casa a noite e ele nos espera pra conversar e para jantar. Sempre há um de nós para fazer-lhe companhia e cuidar dele. Nico não toma banho sozinho. Meu marido e meu filho se revezam para cuidar disso.

Esta adaptação exigiu que todos nós, de alguma forma, abríssemos mão da nossa individualidade. Temos por ele não apenas a responsabilidade mas o carinho de um filho(meu marido e eu) e de um irmão(para meus filhos). Deixou de ser uma obrigação há muito tempo para nós. Tudo que pensamos o envolve. Ele faz parte de nós e estamos comprometidos com ele.

Com os irmãos(meus filhos) há ciúmes com o menino. Se há uma discussão e alguém fala um palavrão ele diz: "Vou contar pra Lila(é assim que ele me chama). Não pode falar palavrão. Vou contar pra Lila". E conta. E fica esperando eu dar a bronca e é melhor que eu dê, hahah. É assim que se educa: reforçando os pontos positivos ou punindo os negativos. Para ele não é diferente. 

Nico é dócil na maior parte do tempo. Alegre. Gosta de música e dos seus carrinhos. Ele tem um quarto onde guarda suas coisas, brinquedos e o rádio. No início achávamos que deixar um CD tocando faria com que ele se distraísse e quando chegamos a noite ele disse: "Desliga, isso "injua". Coitado. Ficou ouvindo o "Couro de Boi" o dia todo. Daí aprendemos que precisávamos ensiná-lo a ligar, desligar, trocar os cd's. Ele hoje ganhou autonomia para isso. Ele é capaz de aprender algumas coisas, desde que haja paciência para ensiná-lo. Assim eu acredito que poder fazer por si próprio é um direito de qualquer pessoa, e ensinamos tudo que possa dar à ele esse sentimento. DIGNIDADE.

Com a Smart-TV é mais complicado por causa dos menus que ele tem que acessar... mas ele já sabe que lá é possível ver o intérprete cantando e sempre que estamos em casa ele pede pra ver/ouvir na TV. Todos nós preferimos o DVD ou o vídeo do youtube. Ele não é diferente.

Aliás ele é diferente sim, em muitas coisas e estas nos ensinam todos os dias.

Quando estou lavando, trocando a roupa de cama ou guardando aquelas que Maria passou para nós ele diz: "Lavou/passou a roupa do Nico?! Obrigada Lila/Maria! Que Nossa Senhora Aparecida lhe proteja". Nico é GRATO.

Daí lembro de minha mãe e de quando eu era pequena. Nunca agradeci à ela por ter cuidado das minhas roupas e muito menos que Nossa Senhora a protegesse. Meus filhos também não o fizeram pelo pai ou à mim. Não nos atentamos à estes detalhes que acontecem silenciosamente nas lavanderias...não que não sejamos gratos....mas dizer é algo que não praticamos pra que o outro saiba. 

Quando há algum assunto que envolva o nome dele e ele não concorde com o que estamos propondo a expressão é: "Chipa!"(e balança o dedo indicador negativamente e sai andando). Nico sabe se posicionar na vida. Nem sempre cedemos mas sabemos qual é a opinião dele sobre isto ou aquilo. Nico tem opinião.


Se viajamos e levamos muitas horas para chegar ele diz: "É...andar de carro é fácil!". O que significa: se tivesse que andar esse caminho todo a pé como era lá no interior pelas estradas de terra seria difícil. Nico é SIMPLES.

Quantas vezes esquecemos de agradecer o privilégio de ter um carro que nos leve para cá e para lá ao nosso querer?! Nico conclui corretamente...bem mais simples com o carro.


Se vamos sair e ele não está querendo ir ou não o convidamos ele logo adianta: "O Nico não vai. Vai cuidar da casa". As vezes não somos convidados para algum programa mas calamos. Ele se adianta e informa com o que vai se ocupar enquanto nós saímos, hahah. 

Na maior parte das vezes está conosco: 

nas festas , na igreja

seja onde for, sempre está incluso.

Se ele adoece com uma dor de cabeça, dor no corpo ou resfriado...aí então é um mini adulto... mas com a sinceridade que o medo da sua criança interna tem e diz: "O Nico não tá nada bem. Vai morrer. Não tem pai, não tem mãe.... O Pai morreu...Dói, dói, dói". Nico tem medo da morte, como nós! Fica frágil e espera ter carinho e atenção e que uma "pílula" dê jeito na dor. Nós também, mas usamos outros discursos nesse momento. Nico é humano.

Se ele está entediado diz: "A vida é dura"e fica calado visitando suas memórias...diria que até um pouco deprimido, mas nunca saberemos o quanto. Tal qual aqueles que aguentam quietos as surras da vida.

Nico é uma oportunidade e um presente que veio resgatar a mãe que eu deveria ter sido quando os meus eram crianças. Deus me privilegiou entregando uma nova vida para eu cuidar e ser melhor. Acho que vou indo bem...melhor agora!

Nico nos ensinou muitas coisas mas principalmente que fomos escolhidos para ser a família dele. Quando lhe perguntam onde mora ele diz que é conosco. Ele pode sair pra passear e visitar, mas ele MORA, está e sempre estará: aqui. 




Se é verdade que as crianças não sabem fingir e ele tenha nos escolhido temos aqui o nosso mérito! Ele está bem e nós também!



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Tempo de Deus

Muitas vezes ficamos ansiosos para alcançar uma ou outra coisa. Nesta urgência nos cobramos por fazer diversas coisas ao mesmo tempo e algumas outras muitas vezes, negligenciando outras.

Certos de que temos a capacidade de medir este esforço vamos exigindo cada vez mais de nós mesmos...estendendo jornadas....apressando os feitos....esquecendo de tudo e de todos.

Daí vem o tempo de Deus: dado que você não desacelera Deus se incumbe de colocar "gatilhos" para criar o gap necessário à oxigenação do cérebro e reforço dos laços eternos. Parada obrigatória.

Nada pode ser feito exceto respeitá-lo. 


Nesse estágio como "em câmera lenta" você olhará para os lados e lá estarão aqueles que você neglicenciou, apoiando e cuidando do seu bem estar. Triste ironia: o tempo que você não tinha se apresenta glorioso apesar da sua soberba e auto-suficiência. 

O segredo estará em aprender a lição: cumprir obrigações e perseguir objetivos só fará sentido se você não estiver só.