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Quem sou eu

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Durante 25 anos apoiei a formação de equipes e líderes, bem como busquei ser uma pessoa melhor, respeitando meus valores e mantendo um posicionamento ético diante da vida. Neste momento me entrego à minha missão de vida. A vivência adquirida até aqui me levou à uma visão crítica da maturidade dos ambientes corporativos em pequenas, médias e grandes empresas, bem como dos comportamentos que possibilitam estratégias eficazes para alcance de resultados e formação de equipes altamente produtivas e colaborativas. Minha busca é para que as pessoas busquem seu empoderamento e tenham as rédeas da própria vida nas mãos, perseguindo a felicidade como sua principal meta. Esta formação se dará através de consultorias e treinamentos comportamentais, workshops, palestras motivacionais e personal e/ou professional coaching.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Dia dos Namorados

Das definições que li sobre o dia dos namorados a mais bonita faz menção à história de São Valentim. Conta a história que o bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes.

O bispo continuou celebrando casamentos, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “De seu Valentim”. 


Não é lindo?!

Pois é....mas no Brasil foi o publicitário João Dória que trouxe do exterior (Estados Unidos) o apelo comercial do dia de São Valentim para troca de presentes entre os namorados.. mas diferente de lá que a comemoração é em fevereiro, aqui colocamos na véspera do dia de Santo Antonio, que pra nós é quem tem tradição de casamenteiro. 

Lembrei das festas organizadas para o tal santo no sítio de minha madrinha Diamantina Menezes. O coitado do "Santo Antonio" era roubado toda hora e escondido (segundo se dizia : até que trouxesse o noivo tão sonhado) hahah, coitado. A segunda solteirona roubava da primeira e assim íam atrás da "vencedora". Muito divertidas as andações na madrugada atrás do santo e as fogueiras que assavam as batatas doces no meio daquele breu na região de Capela do Alto-SP.

O namoro na minha época era um vínculo que se estabelecia entre os apaixonados. Ser "pedida em namoro" era um evento e uma grande conquista. Isso mesmo...você era uma espécie de troféu à quem conquistava o seu coração. 
Tinha que ir lá falar com o pai da moça: dizer quem você era, o que fazia, suas intenções...e ser alvo dos olhares críticos dos irmãos mais velhos (e ciumentos). Se passasse na entrevista e aguentasse as gozações que se seguissem podia entrar e ficar pro time. Uma verdadeira maratona. 

As relações mudaram e raramente ouço a expressão: "Esse(a) aqui é meu(minha) namorado(a)"...bem baixinho! 

A altura da voz faz parecer que há algum constrangimento em se dizer apaixonado e entregue aos sentimentos mais lindos que o ser humano pode ter. Quando apaixonados damos o melhor de nós. Por que evitamos confessar?!


Os antigos cartões de amor comprados nas papelarias, escritos a mão, cederam espaço aos encontros virtuais na internet(com câmera digital ou não), às mensagens pelo whatsApp,  e emails. 

Os mais ousados publicam seu amor em redes sociais e todos os seus amigos "curtem" a declaração publicada. 

Na minha época as cartas e declarações eram testemunhos e segredos entre os amantes. Eu ainda tenho alguns deles guardados. São tesouros e provas que um dia alcancei o coração de alguém e ele o meu. 

Tenho amigos (homens e mulheres) que se queixam por não encontrar alguém disposto à uma relação de amor. Triste. 

E você? Como está seu coração?!

Neste dia dos namorados, se você tem alguém, declare seu amor à moda antiga: Vá dançar de rosto colado, vá ao cinema, faça carinho, escreva um bilhete de amor...comemore.

Se você não tem, abra o seu coração para que ele possa então reconhecê-lo. Ele está lá fora. Não importa que venha através do que a tecnologia propicia, contanto que possibilite que você tenha para quem entregar o seu carinho, a sua dedicação.

Presente?! Não precisa, mas se quiser e puder, compre. É bonito presentear. Mas não é obrigatório.

Pelo que soube até a igreja católica deixou de celebrar, em 1969, o aniversário do suposto mártir(Valentim) por duvidar de sua identidade e até de sua existência....então...talvez esta seja apenas mais uma história para nos remeter aos nossos sentimentos e para que nos sensibilizemos. 


Aproveite  então pra tirar apenas o que o importa: o amor!


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Caracteristicas Hereditárias - quais você herdou?



Noutro dia, numa das dinâmicas do Lifecoaching do Instituto Edson De Paula fomos chamados a refletir sobre nossas características hereditárias.

A primeira lembrança mais forte que tive foi de minha avó paterna. Dona Elídia era uma matriarca de primeira. Reunia os filhos ao entorno da mesa e comandava um batalhão de filhos e netos. Gostava de passear e ver o preço nas lojas, mesmo que nada comprasse. Muito amorosa aninhava aquele monte de netos nos seus braços imensos. Muitas lembranças das férias em sua casa gigante....uma correria danada e que, com apenas um olhar, fazia cessar. Muita autoridade ela tinha, apesar da doçura dos seus afagos.  Pasmem vocês, era a única pessoa à quem meu pai obedecia, hahah. 

Meu avô paterno morreu cedo e não o conheci. Era um anarquista. Vivia preso. Politizado, escrevia bem e inflamava o povo através de seus textos. Trabalhando em gráfica apoiava os movimentos que tentavam fazer do Brasil um país melhor, rodando a multiplicação a noite após o fechamento diário da empresa. Contava minha avó que da última vez o delegado à avisou: "Se pegarmos o Geraldo outra vez com estes panfletos vamos mandá-lo para Ilha das Cobras. Cuide dele Dona Elídia." Meu avô morreu aos quarenta e poucos anos, após o almoço na gráfica, de um infarto fulminante, no dia do aniversário da minha avó.




Minha vó materna tinha descendência portuguesa. Era costureira e morava no Rio de Janeiro com uma de minhas tias, depois de formalmente separar-me de meu avô. Segundo minha mãe eles já não viviam maritalmente desde que ela era solteira. Vez em quando vinha nos ver. Mais distante que a vó paterna tinha muito carinho conosco mas a intimidade que a proximidade entrega só veio mais tarde quando ela mudou-se pra Sampa e nosso convívio ficou mais frequente. Dona Conceição tinha opinião e não fazia nada que não quisesse. Morreu aos 92 anos de velhice. 

Seu Ubaldino era uma figura. Veio morar conosco quando eu era bem pequena. Muito alegre, me ensinava as primeiras palavras: "Repete comigo: CA CHO RRA". Quando enfim eu disse : "CA CHO" ele vibrou!!! Caminhoneiro de profissão contava suas histórias para os meus 3 irmãos, o que minha mãe não gostava. Tinha de tudo: histórias hilariantes de cidades no fim do mundo, até as aventuras amorosas que minha avó não perdoou. Tinha uma relação de "pai e filho" e "filho e pai", com meu pai. No dia dos pais um comprava presente pro outro. Muito bonito o que a vida fez trazendo pra meu pai uma nova relação de filho com o próprio sogro. Meu avô tinha jeito com as plantas. Cuidava com zelo dos canteiros de couve, alface, salsinha, abóbora....depois vendia o que minha mãe não precisava pra nossa alimentação, e, bebia tudo em pinga. Muitas vezes o via conversando com as alfaces...balançando os braços como se elas se tornassem pessoas de suas memórias numa discussão infinita. Quando infartou pela segunda vez deixou não só a bebida, mas o cigarro. Tinha então 60 anos. Viveu até os 84 anos graças a esta providência e deixou em nós todos muita saudade e um velório com primos e sobrinhos que não teve nada de triste. Foi uma despedida alegre como ele mesmo optaria. 

Lembro da minha mãe (Dona Miliam) sempre muito caprichosa com a casa, com meus irmãos e meu pai e ainda preocupada em ter uma ocupação remunerada... algo que lhe trouxesse renda...não só para ajudar meu pai com as despesas mas para não precisar depender dele para comprar suas peças íntimas e fazer um agrado à quem amava. Com seis filhos havia pouco tempo para administrar seus anseios pessoais, mas ela nunca se acomodou. Minha mãe fez grandes amigos vendendo Avon de porta em porta. Naquele tempo as consultoras traziam amostras dos produtos para as clientes experimentarem. Bem diferente de hoje onde escolhemos sem ter a menor idéia do que vai chegar. Carregou sacolas de produtos (amostras e as entregas) nos braços e todo o percurso fez a pé. Vendia muito. Era uma comerciante por natureza. Depois com suas habilidades manuais trabalhou com artesanato: pintura em cerâmicas, art nouveau, tricô, crochê, ponto cruz...impressionante as habilidades dela. Minha mãe foi e ainda é uma lutadora e sua jornada de trabalho não tinha fim. Tem artrose nos joelhos, bursite nos ombros, pressão alta e diabetes.  Hoje com 79 anos, tem seis filhos, seis netos e sua bisneta cresce pendurada em suas pernas. 

Meu pai (Nelson) já mais dedicado aos ambientes corporativos perseguiu uma carreira na área de Organização e Métodos. Ansioso e nervoso, fez disso suas características mais notadas, embora houvesse muitas qualidades que nem sempre eram evidentes. Naquela época ele fazia os formulários a mão, copiava-os em mimeógrafos e os preenchia à mão. Tudo arquivado em pastas A-Z. Tinha que ter muito amor por processos para manter aquilo tudo organizado. Mas ele fez. Mais tarde passou a auditar a implantação de seus próprios processos para garantia de que os demais o realizassem com o mesmo cuidado que ele. Por fim as viagens internacionais para mostrar seus processos na matriz e filiais da empresa. Meu pai fez duas faculdades depois dos 30 anos e aprendeu inglês nos caminhos de ida e volta do trabalho e das faculdades. Era um exemplo de dedicação à família embora nem sempre tivesse tempo para nós. Foi um homem generoso e gastou muitas vezes suas reservas financeiras para ajudar quem estava próximo dele e necessitasse. Morreu antes de completar 61 anos e conheceu apenas 4 de seus netos, os meus filhos e as de minhas irmãs. 


Deles herdei: o prazer pela diversão e alegria de minha avó paterna e meu avô materno; a persistência de minha mãe para alcançar o que desejo pelo caminho que for necessário trilhar; do meu avô paterno a indignação pelas injustiças, a habilidade para escrever, a influência e a oratória para buscar ensinar o que acredito e corrigir o que não concordo, e do meu pai a mesma energia para o trabalho e estudos, ainda que a ansiedade e o nervosismo me tirem, como fez com ele, a paciência para aguardar as coisas que são. 

A vida está passando e espero que a herança continue a se manifestar: na longevidade e no velório alegre dos meus avós maternos, que a idade vá amenizando a minha ansiedade e trazendo mais da paciência que minha mãe teve pra aceitar a vida e que eu possa me manter ativa, lúcida, íntegra e generosa para ver o mundo mudar, para que meus netos e bisnetos tenham em mim uma herança positiva a internalizar. 

E você? Está cuidando do que vai deixar aos seus?